CAPÍTULO II

Que narra o fantástico episódio da encadernação (*) de Bill Puxos em quatro estudantes nérdicos que procuraram ajuda no PS de um Hospital, e nunca mais foram os mesmos! Mistério! Pânico! E salve o Corinthians, bi-campeão brasileiro, o maior time do século XX e XXI !!!

(encadernação é o processo no qual um ser humano é utilizado por seres-capa, que permitem que o conteúdo antigo seja mantido, mas a apresentação e os objetivos da existência do ser são mudados radicalmente)

Leitores, chegou a hora
De conhecer a verdade.
Vou contar tudo o que sei,
Porque não sou um covarde!
Depois que eu terminar,
Vocês vão sentir saudade!

No capítulo anterior
Dessa história tão bonita,
O Baiano quis abrir
Aquela caixinha esquisita,
Mas fez um corte na mão
- Parece praga maldita!

Saiu correndo e sangrando
Levando a caixa consigo,
Pensou: - Na certa é um tesouro,
Não posso correr perigo
De alguém encontrar a caixa,
E me deixar a perigo!

Carregando sua caixinha,
Desembestado no morro,
Chegou o Baiano, assustado,
Suando através do gorro,
E sem mesmo olhar pros lado,
Entrou no Pronto Socorro

- Espere aqui nessa sala!
Lhe disse um preto, enfermeiro,
- Num minuto lhe atendo,
Mas tenho um outro primeiro!
Lave a mão ali na pia,
E limpe esse sangue, parceiro!

Baiano estava na sala
Onde faz radiografia,
Botou sua caixa num canto,
Lavou a sangueira na pia.
Logo o negão o arrastou
Prá sala de cirurgia.

O Baiano - já de cara -
Tomou uma Benzectacyl!
Gritava, por causa da dor:
- Ai, puta que me pariu! -
Anestesiaram a mão dele,
Prá costurar com um fio.

Enquanto o Baiano sofria
Na mão do enfermeiro arretado,
Ele nem viu que na sala
Onde ele tinha entrado,
Chegou um grupo de jovens,
E um deles estava lesado.

Quatro amigos estudantes
Correram buscar consolo:
Lucio, Ademir e Pinga,
e mais o grande Criscuolo,
Estavam jogando bola,
E um deles chutou um tijolo!

O dedão do pé do Pinga
Ficou que nem uma bola,
Inchado, vermelho e quente,
Igual uma caçarola.
E ele gritava, coitado:
- Tá doendo até a sola!

- Deite aqui mesmo na mesa,
Temos que radiografar!
Falou um sujeito de branco,
Que acabara de entrar.
Pode ser uma fratura,
E aí vai ter que engessar!

Os três ajudaram o Pinga
A se deitar no estrado,
Por baixo do aparelho,
Para ser radiografado.
O rapaz de branco disse:
- Eu vou para a sala do lado!

Nem bem saiu o enfermeiro,
Deixando o quarto isolado,
Entrou um outro, de branco,
Com um bisturi afiado;
Gritou: - Agora é comigo!
Eu vou curar o coitado!

Afastou os três amigos
Que rodeavam o Pinga,
E falou, cheio de pose:
- Comigo não tem mandinga,
Estudei a Medicina
na Escola de Coimbra!

Abro uma incisão medonha
Num só golpe de escalpelo,
Que vai desde a traquinhonha
Ao pé do cerebelo!
Se gritar, esse pamonha,
Não vou ligar pro apêlo!

O sujeitinho, apressado,
Já ia meter o bisturi
No bucho do desgraçado
Que só pensava em fugir,
Quando um homem fardado
Gritou: é aquele ali!

Entrou um polícia, armado,
E agarrou o tal doutor,
Que gritava, indignado:
- Não pisem no meu valor!
Vocês vão tomar no rabo,
Quando eu virar Senador!

Arrastaram o cara prá fora,
Ninguém entendeu o ocorrido,
Até que o guarda, na hora,
Explicou o acontecido:
Essa tal "doutor" de agora
De fato é um doido varrido!

Ele é um louco furioso
Que ontem fugiu do hospício,
Foi duro cercar o tinhoso
Nesse enorme edifício;
Cheguei no momento precioso
De evitar o sacrifício!

Se ele pega de verdade
Esse infeliz que ainda chora,
Abria dos pés aos peito,
De um modo que ele adora,
Fazia o serviço perfeito
E deixava as tripas de fora!

Foram socorrer o Pinga,
Que estava apavorado,
Tremia, suava catinga,
Querendo fugir do estrado:
- Vou fugir dessa mandinga,
Mesmo com meu pé quebrado!

Os três lhe deram coragem:
- Foi só um momento infeliz,
Prá aproveitar a viagem
Agora só falta um triz!
Deixe dessa viadagem,
Vamos ver o seu Raio-X!

Enquanto um doutor - de verdade!
Ia o aparelho ajeitando,
O Ademir, por curiosidade,
Tinha agora outro plano:
pois viu, por casualidade,
A caixinha do Baiano.

Enquanto o Lucio e o Criscuolo
Mantinham o Pinga deitado,
O Ademir, bem curioso,
Com um olhar disfarçado,
Pegou a caixinha que o nosso
Baiano tinha guardado.

- Mas que caixinha maneira!
Pensou com curiosidade.
- O que será que tem dentro?
E foi, com velocidade,
Direto no cadeado,
E abriu com toda a vontade!

Agora é que vamos ver
Como funciona o destino,
Que vai mudar para sempre
A vida dos quatro menino:
Não sei se foi por acaso
Ou por desejo divino!

Exatamente na hora
Que a caixa é escancarada,
O enfermeiro acionou
A chave especializada!
A radiação, num segundo
Foi de uma vez ativada!

Do fundo da caixa estranha
Saiu uma luz vermelha
Que atingiu os quatro amigos
Que nem um ferrão de abelha!
Fez entrada pelas bocas
E saiu pela orelha!
 

O enfermeiro, d’outro lado,
Ouviu o estouro de um bumbo!
Desligou logo o aparelho
E disse: - Quase eu sucumbo!
Ainda bem que fui salvo
Pela proteção de chumbo!

Os quatro amigos correram,
Fugindo da luz maldita,
Deixaram, jogada num canto,
Aquela caixa esquisita.
O Criscuolo ainda falou:
- Isso é Kriptonita!

O Pinga sarou na hora,
Do inchaço do dedão,
Corria que nem uma lebre,
Ao redor do quarteirão.
Por fim os quatro falaram:
- Vamos tomar um cervejão!

Tomaram uns 40 chopps
Num bar chamado Finesse;
Só não beberam ainda mais
- Não porque ninguém quisesse -
Mas é que tinham que ir
Numa festa de quermesse.

Já mesmo naquela noite
- E pela primeira vez -
Os quatro formaram um grupo
Que encantou os freguês,
Com música, canto e dança,
Como ninguém nunca fez!

Criavam as letras na hora,
Inventavam de improviso
As maiores sacanagens,
Paródias de pouco siso;
O povo até delirava,
Quase morrendo de riso!

Nenhum dos quatro sabia
O que tinha acontecido:
A verdade é que o poder
Do raio que os tinha atingido,
Transformou os estudantes
Num quarteto definido!

Junto com a luz vermelha
Entrou neles um feitiço,
Que estava na caixinha,
E fez o maior rebuliço!
Não puderam se livrar
Desse talento postiço!

Organizaram uma banda,
- Bill Puxos e seus Thenesmos -
Mas quem compunha e cantava
Nunca eram eles mesmos!
Era o tal incorporado
Que entrava e saia a esmo!

Que todos guardem a data,
Para não esquecer depois:
Foi no quinze de setembro,
Do ano setenta e dois;
Bill Puxos se incorporou,
Nunca mais se descompôs.

Se alguém duvida da história
Que acabei de contar,
Espere, que na seqüência
Desse livro invulgar
Conhecerão mais segredos,
Coisas de arrepiar!

Essa entidade estranha,
Que hoje se chama Bill Puxos,
Existe há cinco mil anos,
Vai e vem nos seus refluxos,
Escolhe alguém e incorpora,
Porque eles são 4 bruxos!

Bill Puxos já apareceu
Desde o antigo Egito;
Na Grécia, nos Pirineus,
Sempre causaram conflito;
Mesmo na Idade Média
Ainda fizeram bonito!

Só digo mais uma coisa
Desses caras esquisitos:
Antes que os 4 estudantes
Fossem tomados, aos gritos,
Tentaram se incorporar
Naqueles famosos The Beatles!

Mas essa história, porém,
Fica prá outro capítulo,
Se não, por falta de assunto,
Fica faltando versículo;
É preciso mais enredo
Nesse livrinho ridículo!

Eu falo, e disso dou prova,
Só escrevo o que se viu!
Mato a cobra e mostro o pau,
Eu sou o maior do Brasil!
Como eu não tem igual,
Sou o Dotô do Pastoril!

NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO: ESTUDO FARTAMENTE DOCUMENTADO QUE PROVA – DE MANEIRA DEFINITIVA – QUE BILL PUXOS INCORPOROU-SE NOS BEATLES, IMEDIATAMENTE ANTES DE TOMAR POSSE DOS QUATRO PASPALHOS CUJAS DESVENTURAS FORAM NARRADAS ACIMA!

VOLTA PARA BILL PUXOS HOMEPAGE. QUERO MAIS !